Quem roubou? O jurado ou o Alladin?

Obandeiras desdobramento da polêmica instituída no carnaval carioca após a leitura das justificativas dos julgadores toma uma proporção exagerada nos últimos dias.

A primeira discussão após a manifestação da Mocidade foi sobre qual escola merece mais o título. Sem o descarte a Portela seria Campeã, com ele e o critério de desempate, daria Padre Miguel. E agora, o que vale mais? O desfile ou o regulamento? O bom senso ou a justiça?

Bem, se as notas descartadas não servem nem para desempate, a liga deixa bem claro o que importa: cumprir o que está escrito na bula, pra não haver reações adversas.

Alguém leu a bula errada e olha o mal-estar que gerou!

 

Segundo ponto: É justo tirar o título de Madureira? É justo a Mocidade não possuí-lo?

Essa é fácil. Dá o título para as duas e todo mundo fica feliz, certo? Errado! Inexplicavelmente, em Madureira isso faz uma enorme diferença. Não basta ser campeã, tem que ser Campeã Sozinha. Quanto egoísmo em meio a um espetáculo tão democrático.

Recordo-me que Mangueira e Beija-flor dividiram um titulo com dois desfiles épicos, onde a verde-e-rosa teve dois descartes a menos em suas notas (não havia critério de desempate naquele ano). Ambas beberam seus títulos e não vi nenhum mangueirense reclamando a divisão.

 

Bem, a Portela tem seus argumentos: somou mais pontos no geral, a divisão e a própria decisão da plenária ferem o estatuto da Liesa, e por aí vai.

A Mocidade põe regulamento embaixo do braço e prega uma humildade quase cristã: Se o moço não erra, eu seria campeã sozinha, como ela quer ser. Mas não quero o bolo inteiro, me contento com a metade.

E essa disputa fora da avenida tem fomentado uma rivalidade entre torcedores há muito extinta por aqui. Farpas trocadas que não combinam com o carnaval moderno.

Pois bem, a verde-e-branco ganhou sua metade – sem recheio (prêmio) – e saboreou. Mas a Portela promete ainda enfiar mais algumas garras nesse bolo que o Alladin não roubou.

 

A verdade é que dois enormes contrassensos ilustram a desnecessidade desse certame: A Portela foi contra dividir algo que não seria dela. E agora quer reivindicar o que não perdeu.

Essa águia está ou não está caçando castor de barriga cheia?

 

E segue o samba…!

 

Por Téo Peregrino

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